Aprendi desde cedo com o meu pai um ditado popular muito conhecido na época. “Quem com porco se mistura farelo come”. Nada mais verdadeiro do que esse dito popular que resiste aos séculos. Mas por que estou citando esse adágio? É porque ele cai muito bem na realidade sociorreligiosa que estamos vivendo no Brasil nesses últimos anos.
Não é de hoje que presenciamos abertamente uma promiscuidade escandalosa entre igrejas evangélicas e políticos das mais diferentes correntes e principalmente da extrema-direita.
A Reforma Protestante do século XVI capitaneada por Martinho Lutero e outros líderes preconizava entre outras coisas o livre exame das Escrituras e a separação de Igreja e Estado. Ou seja, a igreja cuida das coisas de Deus e o Estado das coisas dos homens. Cada macaco no seu galho. Porém, na prática não é isso o que acontece, vira e mexe a igreja está dando pitaco e querendo impor sua moral e sua ética para toda a sociedade e usando a política para isso. Basta lembrar que no tempo do Império aqui no Brasil, a Igreja Católica era a religião oficial da Coroa. Mas vindo a república as coisas mudaram, mas não muito.
Nos últimos 10 anos aqui no Brasil a coisa tomou um vulto gigantesco. Com a eleição do capitão reformado do Exército Jair Messias Bolsonaro à Presidência da República, houve um recrudescimento acelerado da extrema-direita e a imposição de uma pauta de costumes ultraconservadora, alijando e não raro perseguindo as minorias.
Não bastasse a ascensão da extrema-direita, as Igrejas Evangélicas pularam de cabeça na onda extremista de Bolsonaro e seus adeptos fanáticos, barganhando púlpitos e colocando em xeque a credibilidade das igrejas no Brasil.
O mais trágico de tudo aconteceu em 2022, quando o então presidente da República, Jair Bolsonaro perdeu a eleição para Luíz Inácio Lula da Silva. O capitão reformado não aceitou a derrota e tentou dar um golpe de Estado insuflando seus seguidores, que no dia 8 de janeiro de 2023 depredaram a praça dos Três Poderes. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de cadeia e cumpre pena na Papudinha no Complexo Penitenciário da Papuda em Brasília. E os golpistas do 8 de janeiro, centenas deles também foram condenados e presos. Entre os presos estão pastores e muitos evangélicos.
Mas o estrago não para por aí. Ele respingou também no seio de várias denominações evangélicas, pois, contrariando os princípios da Reforma Protestante, essas denominações se envolveram até o talo na trama golpista e macularam o terreno sagrado da fé.
A Igreja ficou dividida, crentes de tendência mais à esquerda foram discriminados e até expulsos de suas igrejas por pastores extremistas. Um verdadeiro caos!
2026 é um ano de eleições majoritárias no país. E o ano nem bem começou e já dá para perceber o reboliço dos extremistas querendo atrair os crentes. Os políticos iniciaram as suas maratonas nos púlpitos evangélicos e nos bastidores as negociações já começaram. Quem dá mais? É um verdadeiro leilão dos altares sagrados, tudo em nome da política, do poder e do dinheiro.
Que Deus tenha misericórdia de nós.
Haroldo Mendes


.jpeg)

